O Senado do Paraguai deve retomar na manhã desta sexta-feira (6) a sessão que analisa o pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña.
A audiência está marcada para às 10h (BSB), e deve contar com a presença de Peña, ou um representante da Defesa, para se defender das acusações.
Na noite de quinta-feira (5), o Senado iniciou as discussões sobre o pedido, horas após a Câmara de Deputados aprovar a remoção do presidente do poder.
As decisões do Congresso do Paraguai acontecem em meio às acusações de que Peña estaria envolvido em irregularidades ligadas ao Ueno Bank, instituição que fechou as portas na terça-feira (5), afetando milhões de cidadãos.
Parlamentares acusam o presidente de negligência no cumprimento do dever devido ao colapso da instituição. Autoridades afirmam que cerca de três milhões de clientes foram afetados, sem acesso às contas.
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O banco Ueno, de propriedade do Grupo Vázquez, fechou suas portas na terça-feira (3) depois que o Banco Central do Paraguai iniciou um processo de liquidação da instituição ao constatar um déficit em seus índices de solvência relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.
Peña, um economista que assumiu o governo em 2023, foi acionista até março do ano passado do grupo proprietário do banco, que contava com cerca de 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões (equivalente a cerca de R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
A oposição acusou Peña de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central, entre outros pontos.
“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente… o senhor é a origem desse monstro que criou”, disse a deputada da oposição Rocío Vallejo durante sessão, pouco antes de apresentar a acusação contra o presidente.
Peña afirmou em uma publicação na rede social X que os responsáveis pelas irregularidades responderão perante a Justiça, sem exceções, pouco antes de promulgar uma lei que permitirá aos poupadores do Ueno recuperar seu dinheiro em menos tempo.
“Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou ele.
