O governo chinês tem observado “falas e práticas” do candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, para avaliar como ficará a relação com o Brasil em caso de vitória do oposicionista.
Segundo relatos feitos por fontes em Pequim, há preocupação com uma atitude abertamente pró-Estados Unidos e hostil à China por parte de um eventual novo governo de direita, embora autoridades do país vejam Flávio como mais pragmático e moderado do que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Confrontos retóricos entre Brasil e China, principalmente no primeiro biênio da gestão anterior, marcaram a relação entre os dois países.
Naquele período, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) chegou a culpar os chineses pela pandemia o ex-chanceler Ernesto Araújo chamou o vírus responsável pela covid-19 de “comunavírus”.
O então embaixador da China em Brasília, Yang Wanming, era um diplomata ativo nas redes sociais e reagiu publicamente em diversas ocasiões, o que aumentou a fricção com o Itamaraty.
As alfinetadas mútuos começaram a esmorecer apenas na segunda metade do governo Bolsonaro, após a demissão de Araújo e sua troca por Carlos França como ministro das Relações Exteriores.
Agora, conforme, a determinação de Pequim é ter muito cuidado. O atual embaixador do país, Zhu Qingqiao, já costuma adotar uma postura bem mais discreta nas plataformas digitais.
Zhu deverá se manter afastado não só das redes, mas das principais campanhas ao Palácio do Planalto, a fim de evitar qualquer interpretação de simpatia por um dos candidatos.
Reservadamente, interlocutores no governo chinês argumentam que a relação com o Brasil é estratégica e com benefícios mútuos de longo prazo, portanto não são vulneráveis a reveses imediatos.
No entanto, as “falas e práticas” de Flávio — expressão ouvida pela CNN de uma fonte em Pequim — em caso de vitória deverão ser monitoradas com especial atenção em algumas áreas, como minerais críticos e inteligência artificial.
O USTR também solicitava que o Brasil não permitisse transferências de controle de jazidas para “non-market economies” — uma forma de referir-se à China — sem prévio conhecimento de Washington. Não houve negociação efetiva sobre os dois assuntos.
Na área de inteligência artificial, o governo Lula promoveu a adesão do Brasil à Waico (Organização Mundial para a Cooperação em IA), iniciativa lançada pelo presidente Xi Jinping em julho.
