O candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, tenta se descolar da nova ofensiva do irmão, Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos. O discurso para evitar o desgaste provocado por eventuais declarações e ações do ex-deputado é que ele tem autonomia e não atua de forma coordenada com a campanha.
Em meio à crise no STF (Supremo Tribunal Federal), Eduardo Bolsonaro, junto com o empresário Paulo Figueiredo, pediu ao governo de Donald Trump sanções contra os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes.
A preocupação na campanha de Flávio é que a atuação de Eduardo e Figueiredo coloque em xeque a estratégia do candidato do PL de fazer acenos ao Judiciário, direcionando críticas a Moraes e Dino, mas evitando ataques aos demais ministros da Corte.
O senador tem sido aconselhado a enviar emissários ao STF na tentativa de construir um diálogo e evitar a repetição dos embates ocorridos ao longo do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Também tenta se diferenciar do irmão, que, durante a campanha de 2018, disse que bastavam “um soldado e um cabo” para fechar a Corte.
Uma semana antes do ato de 7 de Setembro, na Avenida Paulista, o senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio, esteve no gabinete de Gilmar Mendes, alvo de Eduardo, em busca de diálogo. O objetivo foi passar o recado de que as críticas a Moraes não significam um ataque ao tribunal.
Desde então, Flávio vem adotando um discurso de defesa do STF e afirmando que, se eleito presidente, ajudará a resgatar a imagem do Judiciário.
“Eu, como presidente da República, eu vou proteger as instituições. Eu vou proteger o STF dessas laranjas podres e vou indicar pro STF cinco ministros, homens e mulheres que sejam contra o aborto, contra as drogas, que respeitem a Constituição”, disse Flávio na quarta-feira (16).
O time bolsonarista também vê o risco de que eventuais declarações de Eduardo Bolsonaro virem munição para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A defesa da soberania e da democracia é um dos principais motes do petista contra Flávio.
Nesta quinta-feira (17), Eduardo voltou a falar sobre ministros do STF, dizendo que eles podem não reconhecer uma eventual vitória do irmão mais velho.
“Quando Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes foram criticar André Mendonça, o que é que eles falaram? Falaram que aquilo ali era uma continuação do golpe”, afirmou Eduardo. “Se eles [juízes do STF] entenderem que a eleição do Flávio é um ato de golpismo, os EUA podem perfeitamente não reconhecer a eleição brasileira e sancionar individualmente esses ministros”, continuou.
Na quarta-feira (16), um dia após a sessão na Corte sobre o caso de Moraes, Eduardo e Figueiredo afirmaram que levaram ao governo americano a situação da crise institucional no Brasil e o combate ao crime organizado.
Na terça-feira (15), Trump, em documento enviado ao Congresso, disse que o governo brasileiro falhou ao confrontar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) e declarou que o país precisa tomar medidas agressivas para confrontar e derrotar os grupos antes que se espalhem e cresçam.
