Uma reforma estatutária em discussão no São Paulo pretende reduzir os poderes do presidente do clube e criar novos mecanismos de controle na administração. A avaliação é de Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo, que defende a aprovação das mudanças como parte de um processo de reorganização institucional do Tricolor.
Deste domingo (23), Ayres afirmou que, caso a reforma seja aprovada, a próxima eleição presidencial do São Paulo será realizada sob um modelo que, segundo ele, impedirá a concentração de poder nas mãos de uma única pessoa.
“Se aprovada a reforma estatutária, a próxima eleição vai tirar do presidente esse poder de ser absoluto. Então, tirando essa possibilidade do presidente de ser absoluto, você vai gerar um sistema de pesos e contrapesos que permitam, digamos assim, uma pacificação das diversas correntes políticas do clube.”, afirmou Ayres.
A reforma estatutária também é apontada por Ayres como um passo necessário para que o São Paulo possa avançar na transformação em uma corporation, modelo que o presidente do Conselho defende em vez da concentração do controle em um único investidor.
Segundo ele, a aprovação da reforma abriria caminho para estudos que seriam realizados no ano seguinte para avaliar a implementação do novo modelo.
“O próximo passo seria, será, espero, a aprovação de uma reforma estatutária que se dará aí na próxima semana. Se aprovada, nós temos aberto aí uma avenida para que isso aconteça, dentre as quais o estudo que se fará no ano que vem, para que isso acabe se transformando numa realidade.”, afirmou.
Ayres também explicou por que é contrário à possibilidade de um único investidor assumir o controle do São Paulo. Para ele, a concentração de propriedade poderia gerar instabilidade institucional e afastar o torcedor das decisões do clube.
“Eu não acredito nesse modelo, e eu não acredito nesse modelo por algumas razões. A primeira razão é porque eu acho que esse é um modelo da instabilidade institucional.”, declarou.
Na visão do conselheiro, uma corporation permitiria a diluição dos investimentos entre diferentes participantes.
“Já numa corporation, você tem a diluição do investidor. Então aí você vai ter o fundo de pensão do Banco do Brasil, você vai ter aquele senhor que assiste futebol todo dia, você vai ter uma série de players que possam vir a ser investidores de um clube chamado São Paulo.”, explicou.
