A defesa do motorista do caminhão que arrastou o carro de uma idosa por cerca de 700 metros na Via Dutra, em São José dos Campos (SP), afirmou que ele não fugiu do local do acidente e que não percebeu a colisão porque o veículo da vítima estava em um ponto cego da carreta.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF), no entanto, contesta essa versão e afirma que os registros analisados mostram que o caminhão fez uma breve parada após o acidente, seguiu viagem, passou em frente ao posto da corporação sem parar e o motorista não acionou o telefone de emergência 191.
Nesta segunda-feira (6), o caminhoneiro prestou depoimento à Polícia Civil. Ele foi ouvido e liberado. A investigação sobre o caso continua.
O acidente
O acidente aconteceu por volta das 11h, no km 145 da Rodovia Presidente Dutra, no sentido São Paulo, na região da Vila Industrial, Zona Leste de São José dos Campos.
Segundo Maria Auxiliadora, a idosa que teve o carro arrastado, ela seguia pela rodovia quando precisou mudar de faixa por causa de um estreitamento na pista.
Em, o advogado do caminhoneiro, Antônio Franc, afirmou que o motorista comunicou a um funcionário da concessionária que seguiria até um local seguro para estacionar a carreta, já que o trecho da Via Dutra estava em obras e uma parada imediata poderia bloquear a pista.
Segundo a defesa, o caminhoneiro percebeu que a idosa estava fora do veículo, aparentemente sem ferimentos, falando ao celular e fotografando o caminhão. Depois disso, seguiu até um posto de combustíveis, onde aguardou por cerca de duas horas para registrar a ocorrência.
O advogado também afirmou que, por questões de segurança, o motorista não poderia abrir a porta da carreta naquele trecho da rodovia e, por isso, decidiu seguir até um local considerado seguro para parar.
O que diz a PRF?
A versão apresentada pela defesa, no entanto, é contestada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Ainda de acordo com a PRF, o veículo passou em frente ao posto da corporação sem parar. Depois, ficou estacionado por cerca de 40 minutos em outro ponto da Via Dutra, mais à frente da unidade policial.
O inspetor também afirmou que o telefone de emergência 191, utilizado para atendimento de ocorrências na rodovia, não foi acionado pelo motorista. Segundo ele, o procedimento esperado seria que o caminhoneiro parasse no posto da PRF ou ligasse para o serviço para comunicar o acidente.
A PRF informou ainda que entregou à Polícia Civil os registros do tacógrafo do caminhão. O equipamento registra dados como velocidade, distância percorrida, tempo de direção e períodos de parada e será analisado durante a investigação.
