O FGC (Fundo Garantidor de Créditos) prestou assistência financeira de R$ 4,3 bilhões ao conglomerado Master meses antes das instituições financeiras ligadas a Daniel Vorcaro serem liquidadas pelo Banco Central.
A assistência financeira era destinada integralmente à quitação de instrumentos que demandariam cobertura do fundo em caso de liquidação extrajudicial, com objetivo de viabilizar a reorganização societária do banco e sua saída organizada do mercado. Em contrapartida, o conglomerado realizou captações de apenas R$ 90,2
Sendo assim, os recursos desembolsados pelo FGC seriam direcionados unicamente para o pagamento de títulos que, na eventualidade de uma liquidação extrajudicial, acionariam a garantia oferecida pelo Fundo. O limite de garantia estabelecido foi de R$ 250 mil.
O estatuto do FGC permite ao fundo contratar operações de assistência ou de suporte financeiro, inclusive operações de liquidez, com as instituições associadas, desde que a operação tenha como finalidade proteger investidores, prevenir crises bancárias sistêmicas ou contribuir para a manutenção da estabilidade do Sistema Financeiro Nacional.
A área técnica do BC afirmou que, apesar da frustração de soluções de mercado, houve redução do custo para a sociedade e para o FGC durante o processo.
A exposição do FGC foi reduzida de R$ 51 bilhões para cerca de R$ 40 bilhões, em caso de efetivo desembolso em decorrência do regime especial.
Dois dias depois, em 23 de setembro de 2025, o FGC comunicou ao Banco Master que, como medida de “boa-fé”, poderia vir a considerar a extensão da linha de assistência ao conglomerado, condicionada a plano concreto e viável de saída organizada de mercado.
As negociações entre o grupo e o fundo resultaram, em 7 de outubro de 2025, a extensão da linha de assistência financeira exclusivamente à Will Financeira no período de 2 de outubro a 30 de novembro de 2025 e no afrouxamento de parte do acordo firmado em setembro. Os termos foram aceitos pelo Banco Master em 8 de outubro de 2025.
No entanto, o negócio com o FGC não conseguiu amenizar, de modo suficiente, a crise crônica e aguda de liquidez enfrentada pelas instituições do grupo Master.
Por essa razão, o Banco Central entendeu que a decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master era a solução solução adequada capaz de preservar o SFN (Sistema Financeiro Nacional).
Em 18 de novembro, quando o Banco Master foi liquidado, a instituição dispunha de um caixa livre em Títulos Públicos Federais de apenas R$ 4,8 milhões, ante um fluxo de vencimentos imediatos de CDBs (Certificados de Depósito Bancário) na ordem de R$ 48,6 milhões a pagar.
Após analisar a condução do processo de liquidação do conglomerado, a Audibancos (Unidade de Auditoria Especializada em Bancos Públicos e Reguladores Financeiros do Tribunal de Contas da União) concluiu que o processo de liquidação do Banco Master pelo Banco Central foi correto e dentro do esperado.
Na avaliação dos técnicos, a liquidação foi uma medida imperativa, legal e tecnicamente fundamentada.
Desde o fim do ano passado, o Banco Central liquidou nove instituições financeiras ligadas a Daniel Vorcaro. Por conta disso, o FGC vai ter que desembolsar mais de R$ 51 bilhões aos credores, o que representa o maior resgate da série histórica do fundo.
